O texto era para ser mais jornalístico, com lead, mais curto, etc e tal, mas...não deu. Não gostei, ficou com a cara da Folha de São Paulo. Deixa pra lá, não sou jornalista mesmo. (ainda). Além do que, esse não foi um simples evento, representou o reascenso das utopias destas veias nervosas. Só dava para escrever com verdade.
Movimentos sociais e estudantes na luta contra o latifúndio do saber
Em minhas buscas por inspirações encontrei no meio do caminho um... caminho. Um discurso familiar, inconformado, disposto ao protesto e, incondicionalmente, a favor dos esquecidos.
Palestra na Fundação Santo André. O tema : “Que universidade queremos?! O ensino superior em debate”. Era tudo o que este coração angustiado necessitava: vozes revolucionárias, mais do que isso, mentes brilhantes propondo (ou exigindo) um novo Brasil.
Encerrou na última sexta-feira a “Jornada Nacional em Defesa da Educação”. Trata-se de uma série de manifestações e debates, em universidades e espaços acadêmicos, reivindicando uma educação pública de qualidade. Os professores, Zago e Buzzeto representaram a campanha na Fundação Santo André através de uma palestra-debate. Na mesa, José Vitório Zago, professor da UNICAMP e membro do ANDES – SN (Associação Nacional dos Docentes no Ensino Superior – Sindicato Nacional) e Marcelo Buzzeto, professor da Fundação Santo André e membro da Coordenação Estadual do MST/SP.
O professor Zago, de adesivo do “Conlutas” colado no lado esquerdo do peito, inicia a palestra. Fala com precisão e a aquela calma de quem sabe o que está dizendo. Quando ele começa a falar sobre a universidade que o Conlutas quer para o Brasil, o tom de voz aumenta levemente e a eloqüência cativa os estudantes sedentos por vozes sábias e experientes. “Queremos para o Brasil uma universidade laica, pública, gratuita, de qualidade, democrática, autônoma didática e administrativamente e, principalmente, acessível à maioria da população”, enfatiza ele.
Relatou verdades inconvenientes: “substituição de professores”, principalmente mestres e doutores para redução de custos nas universidades; “apenas 11% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos têm vaga no ensino superior"; em determinadas regiões o ensino privado abrange 90%; e, por fim, na defesa do nosso ensino um governo que de esquerda nada têm (e nunca teve), “uma vez que destina 2,5% do orçamento da União em educação e cerca 40% para o serviço da dívida” (rolagem da dívida interna, amortização e pagamentos).
Discursa na seqüência, Marcelo Buzzeto que, recentemente enfrentou a famosa masmorra, destinada não apenas aos homens maus, mas também aos rebeldes (uma prisão ilegal durante manifestação do MST, leia http://www.apropucsp.org.br/jornal/607_j02.htm). Esta mente fértil que aqui vos escreve, sempre fantasiando seus heróis, comicamente o imaginava um homem cabeludo, barba por fazer, ares de revolta, aparência nervosa e angustiada, talvez uma camiseta do Guevara. Coisas de uma mente altamente idealista (até demais). Mas, o que encontra é um homem calmo, eloqüente, simpático e, acima de tudo com um discurso sóbrio, equilibrado, sem a pressa insana típica do espiríto dos jovens.
Revela que, na avaliação do MST, a educação é parte de um processo de elevação do nível de consciência política da classe trabalhadora. Citou a ocupação do Largo da Faculdade de Direito de São Francisco ocorrida na madrugada anterior. A tropa de choque despejou os manifestantes presentes, em um procedimento totalmente irregular: sem liminar de despejo e às 2h30m, sendo que é permitido efetuar despejos somente a partir das 06hs. “Do ponto de vista, da própria lei burguesa o procedimento foi totalmente irregular”, protesta o professor. Mais uma arma da repressão preventiva realizada pela aliança entre o Governo do Estado de SP, a Prefeitura e o Poder Judiciário. O bom e velho noticiário televisivo, obviamente tratou o evento como crime.
O professor Buzzeto, conclui dizendo que a jornada deve desencadear um processo de mobilização, deve servir para refletir “sobre o que vamos conseguir acumular daqui pra frente, que signifique novas lutas, que não seja uma jornada de uma semana apenas. É uma conquista, uma vitória, mas é insuficiente”, ressalta o professor. A jornada deve adquirir um caráter de luta de massas, que não seja restrita ao universo acadêmico, aos movimentos sociais, “deve atingir o povo, os lares da periferia, que estão fora da universidade, fora dessa discussão que está em pauta”, conclui o professor.
Para os corajosos que chegaram ao fim do texto, só digo que este "fabulário feral do delírio cotidiano", falará menos das angústias e mais das lutas, menos do mal e mais da luta do bem contra o mal, pretenderá, de fato, fazer parte da "contra-mola" que resiste aos dentes afiados da engrenagem.
Agora, a angústia é outra!