29/09/2008

Por fim, a redenção

Enquanto isso, El condor pasa


A imponente Cordilheira dos Andes atravessando toda a América do Sul, suas montanhas escarpadas e neves eternas impondo limites entre céu e terra, o vôo altivo do condor na perpétua solidão do Altiplano, campesinos mascando folha de coca, crianças andinas, culturas milenares, mistérios incaicos. A tal “Aventura América Latina” era, uma ligeira miragem, no mais, um ingênuo sonho beatnik, tão excêntrico a ponto de beirar o surreal. Não imaginava que esses sonhos é que eram reais e que a vida, até então, é que era apenas um pesadelo sombrio, uma miragem mórbida, una película de terror entediante. Espectro da realidade como em uma Caverna de Platão. Por fim, a mente se livrou das teias, o sangue corre vigoroso e os sentidos cobram vitalidade. Si, yo digo si, al sueño de la razón e de la redención. Pero, no es una redención ao juego cobarde de la vida. É a redenção à doida harmonia, à vertigem esfarrapada e extasiante de, finalmente, ser.

Inédita sensação: os passos que ouço são os meus.