Lotação em Goiânia
Goiânia,
pequena grande cidade. Goiânia planejada, não tem lógica: nem os moradores
entendem. As ruas circulares ao redor de praças e identificadas por números são
um tormento para quem é de fora. Muita vez ficam olhando pro alto pra precaução
de vertigem. Logo, voltam a cara ao chão, desnorteadas. Para perdição de gênio
qualquer, há ruas com o mesmo número em setores diferentes. Martírio de
goiânio.
Os
primeiros dias levam qualquer razão-de-motorista em desespero.
Mas
vá lá, esse reclamo burguês: isso, caro leitor incrédulo, é o de menor
irritante em Goânia, o de mais vulgar desgosto, e compaixão. Não, o patético em Goiânia são condutores de lotação aguardando rapaz comprar bilhete.
Gente séria e ruda do Norte, não compraze com isso não. Veja lá:
Tudo
parado? Já num subiu? Tá esperando o que esse carrancudo desse motorista? Vá,
de homem, que o tempo é ganho de se doer? Vai não, é? E ninguém não diz nada?
Af, mas eu tô é ficando doido? E fuça desconfiado nos cabelos escondidos do
chapão de couro. Bom, de dar em menino malcriado. Mas num vai é mesmo? Axi... mas será que sou eu ei de tomar
providência dessa presepada? Hei? Eu cansado e encachaçado? Hein não? Ô
motorista, vambô m bora que lá trás vem gente, ôi? Motorista desconfia. Gente
do ônibus tem certeza. É gente de fora, coitado! E o motorista fraternalmente
suplica . Tem que esperar o rapaz comprar o bilhete?!! E as gentes do ônibus
olham entreolhadas e condenam (fraternalmente) a gente de fora. Silêncio
autocondenador! Vergonha! Vazio! Silêncio que cabe na arredoma. Siêncio que
explica e mostra. Silêncio. Ai, gente... desculpa é que eu sô de fora. Abana o
chapéu cheio mesuras e salamaleques.