09/05/2013


Lotação em Goiânia

Goiânia, pequena grande cidade. Goiânia planejada, não tem lógica: nem os moradores entendem. As ruas circulares ao redor de praças e identificadas por números são um tormento para quem é de fora. Muita vez ficam olhando pro alto pra precaução de vertigem. Logo, voltam a cara ao chão, desnorteadas. Para perdição de gênio qualquer, há ruas com o mesmo número em setores diferentes. Martírio de goiânio.
                Os primeiros dias levam qualquer razão-de-motorista em desespero. 
                Mas vá lá, esse reclamo burguês: isso, caro leitor incrédulo, é o de menor irritante em Goânia, o de mais vulgar desgosto, e compaixão. Não, o patético em Goiânia são condutores de lotação aguardando rapaz comprar bilhete. Gente séria e ruda do Norte, não compraze com isso não. Veja lá:
                Tudo parado? Já num subiu? Tá esperando o que esse carrancudo desse motorista? Vá, de homem, que o tempo é ganho de se doer? Vai não, é? E ninguém não diz nada? Af, mas eu tô é ficando doido? E fuça desconfiado nos cabelos escondidos do chapão de couro. Bom, de dar em menino malcriado. Mas num vai é mesmo?  Axi... mas será que sou eu ei de tomar providência dessa presepada? Hei? Eu cansado e encachaçado? Hein não? Ô motorista, vambô m bora que lá trás vem gente, ôi? Motorista desconfia. Gente do ônibus tem certeza. É gente de fora, coitado! E o motorista fraternalmente suplica . Tem que esperar o rapaz comprar o bilhete?!! E as gentes do ônibus olham entreolhadas e condenam (fraternalmente) a gente de fora. Silêncio autocondenador! Vergonha! Vazio! Silêncio que cabe na arredoma. Siêncio que explica e mostra. Silêncio. Ai, gente... desculpa é que eu sô de fora. Abana o chapéu cheio mesuras e salamaleques.