No referendo revogatório realizado em julho passado, o presidente Evo Morales foi ratificado com 67,41% dos votos e em 95 das 112 províncias do país. Isto significa que, a Bolívia não está dividida como descaradamente informa a imprensa burguesa, na verdade, querem dividí-la. Esclarecendo a terminologia da mídia golpista: não há tentativa de autonomia, há tentativa de separatismo; não há oposição e sim tentativa de golpe; não existem líderes cívicos ou dirigentes regionais e sim golpistas.
A herança oligárquica dos hidrocarburetos financiou a manutenção de uma elite branca e racista, representada essencialmente pelos departamentos de Beni, Pando, Tarija, Chuquisaca e Santa Cruz, que fazem parte da chamada media luna (oposição regional). Sob o lema da autonomia exigem, na verdade, um separatismo para defender seus privilégios, para manter intacta em seus quintais a herança oligárquica dos hidrocarburetos. Enquanto isso, campesinos e indígenas passaram os séculos vendendo seus braços sob o pagamento de uma sobrevivência humilhante para retirar suas próprias riquezas e entregá-las a uma burguesia parasitária. Transformaram a Bolívia em um campo de trabalhos forçados. Antes de Evo, não se lutava por “autonomia”.
Comum é andar pelas ruas de Sucre ou Santa Cruz e ver a típica aversão burguesa e o ódio racista contra los pueblos indígenas. Ainda mais agora que uno dellos está na presidência. Morales é um esquerdista, campesino, ex-dirigente cocalero, e pra piorar um índio aymará que rompeu com um século e meio de reinado criollo*. Um presidente cuja língua materna não é o espanhol, e governa para uma maioria que não se considera boliviana, mas sim quéchua e aymará, e identificadas mais com o Império Inca do que com a influência espanhola. Que fazer neste caso? Em uma mescla de desprezo e assombro só resta apelar para o terrorismo, massacre de indígenas, tudo é claro com o apoio da imprensa golpista internacional.
Lamentável, não poder trocar de povo. Está nas paredes:
Pueblo de mierda, Evo Cabrón, Evo, chola* de Chávez, Fundamentalista aymará, Tumbar al índio, Raza Maldita, Collas de Mierda , Viva Falange*
...ou mesmo em conversas
- Qué piensas de Evo?
- Hummm...- em um franzir enojado de lábios
- Es diferente, no? De los otros?
- Sí, pero, ello goberna para los campesinos. Seria mejor que gobernasse para todos. Los campesinos, son todos uns borrachos*. No son personas como yo, blancas e que usan pantalón*.
Criollo: descendente de espanhóis
Chola: prostituta índia, na denominação criolla
Collas: há uma rivalidade entre collas e cambas, essencialmente nos departamentos da media luna. nos outros departamentos não existe uma rivalidade tão nítida. Os collas representam os ocidentais, índios aymarás e quéchuas do Altiplano. Os cambas representam os orientais, uma minoria branca e rica, majoritariamente descendentes de espanhóis
Pantalón: neste contexto, vestimenta dos criollos
Falange: Um setor auto-proclamado de esquerda, acusado de traição aos ideais populares e de se inspirar na falange franquista.
Borrachos: Bêbados
Pantalón: neste contexto, vestimenta dos criollos
Evo Morales ao assumir a presidência perante o Congresso da Nação e em cerimônia perante a memória dos seus antepassados, investido como chefe supremo dos indígenas dos Andes.


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