“Quantas vezes tenho vontade de rasgar o peito e estourar o crânio vendo que somos tão pouca coisa uns para os outros”. (Goethe)
O Velho não costuma ouvir rádio no computador. Exceto quando se trata do bom e velho rock and roll. Uma notícia em um site conhecido chamou sua atenção. A matéria também estava escrita, mas por algum motivo ele preferiu ouvi-la. Falava sobre trabalho escravo. A voz fria do locutor denunciava calmamente os números de um relatório sobre “o horror”. À medida que as estatísticas eram calmamente relatadas, ele sentia que o quarto ficava pequeno e gelado. As paredes pareciam se comprimir a ponto de sufocá-lo. Sentia o peito apertado, o coração oprimido. Ele olha fixamente para o um ponto qualquer, sente as lágrimas queimarem o rosto, o corpo estremecer. Ela engole seco, segura a respiração e imagina o cenário deste teatro de horrores.
Seria uma fazenda? Uma fábrica instalada em obscuros guetos de uma metrópole qualquer? Haveria um capataz com botas longas e uma espingarda ameaçando criaturas cinzas de olhos vazios e manchados? E o mandante? Seria um homem de caminhar lento, olhar intimidante, ar presunçoso, que espalha sua gordura burguesa em uma rede ou mesa de escritório, enquanto decreta as sentenças de seus cativos?
E os escravos? (sim, é isso mesmo: ESCRAVOS). Como arrastam seus corpos nesta existência triste? Com convivem com suas almas mutiladas, dia após dia? Como suportam viver em meio às bestas? Que faz isso com eles, e assiste eles e escreve sobre eles? Esse nojo, essa náusea e cansaço da vida não os fazem vomitar até que não haja mais dor?
Ele tem pavor. Medo de que essa seja apenas mais uma notícia e esse mais um texto. E ele sabe que será. Medo de acordar no dia seguinte e seguir sua vida enquanto eles continuam lá. Como fazer as tarefas diárias, como acordar, trabalhar, ou simplesmente falar, sabendo que isso aconteceu, que está acontecendo?
Inevitavelmente, o dia seguinte virá. Ele sabe que estará vivo mais um dia para a náusea. E sabe, que as malditas tarefas diárias, o entorpecimento cotidiano, em especial um trabalho inútil, irão fazê-lo esquecer-se dos ESCRAVOS e ser engolido pela mesquinhez do cotidiano, pela apologia ao trivial. Tudo isso a mando dos senhores de engenho “civilizados”. Lembra-se do pensamento marxista. Sabe que “é da empresa privada sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário”.
Sabe também que é exatamente igual ao resto dos repugnantes porque ouviu sobre “o horror” e seguiu sua vida. E escreveu sobre isso.
Mas, por quê? Por que o Velho continua escrevendo? E vivendo...
Seria uma fazenda? Uma fábrica instalada em obscuros guetos de uma metrópole qualquer? Haveria um capataz com botas longas e uma espingarda ameaçando criaturas cinzas de olhos vazios e manchados? E o mandante? Seria um homem de caminhar lento, olhar intimidante, ar presunçoso, que espalha sua gordura burguesa em uma rede ou mesa de escritório, enquanto decreta as sentenças de seus cativos?
E os escravos? (sim, é isso mesmo: ESCRAVOS). Como arrastam seus corpos nesta existência triste? Com convivem com suas almas mutiladas, dia após dia? Como suportam viver em meio às bestas? Que faz isso com eles, e assiste eles e escreve sobre eles? Esse nojo, essa náusea e cansaço da vida não os fazem vomitar até que não haja mais dor?
Ele tem pavor. Medo de que essa seja apenas mais uma notícia e esse mais um texto. E ele sabe que será. Medo de acordar no dia seguinte e seguir sua vida enquanto eles continuam lá. Como fazer as tarefas diárias, como acordar, trabalhar, ou simplesmente falar, sabendo que isso aconteceu, que está acontecendo?
Inevitavelmente, o dia seguinte virá. Ele sabe que estará vivo mais um dia para a náusea. E sabe, que as malditas tarefas diárias, o entorpecimento cotidiano, em especial um trabalho inútil, irão fazê-lo esquecer-se dos ESCRAVOS e ser engolido pela mesquinhez do cotidiano, pela apologia ao trivial. Tudo isso a mando dos senhores de engenho “civilizados”. Lembra-se do pensamento marxista. Sabe que “é da empresa privada sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário”.
Sabe também que é exatamente igual ao resto dos repugnantes porque ouviu sobre “o horror” e seguiu sua vida. E escreveu sobre isso.
Mas, por quê? Por que o Velho continua escrevendo? E vivendo...