17/12/2008

La chola paceña


Ela é a representação emblemática da mescla entre a herança colonial espanhola e a milenária tradição aymará/quéchua, o auto-retratado da cidade de La Paz, a expressão mais significativa da mestiçagem boliviana, por fim, em um eufemismo exagerado, o símbolo do "encontro" entre o Velho e o Novo Mundo.


Durante o período colonial, a mulher criolla (descendente de espanhóis) aderiu à moda ibérica: uso de polleras (saia típica) e mantas elegantemente bordadas, botas, broches, jóias. Nos anos 40 e 50, as mulheres que representavam uma espécie de burguesia de origem aymará, adotaram essa moda ibérica. Atualmente, a chola paceña é um dos personagens permanentes da cena boliviana, especialmente em La Paz. Inevitavelmente, sua roupa recupera o castigo dos séculos passados, porém, no conjunto da obra, sobressai uma forma autenticamente aymará e um inegável toque urbano-mestiço.









Pero para ser una chola paceña hay que tener estilo y dinero. Um jogo com pollera, sombrero (chapéu), manta e sapatos, dos mais simples, custa por volta de 170 doláres. Sem considerar os adornos. E cada mulher deve ter uns três jogos para cada semana. É possível encontrar mantas de vicunhas que custam mais de 300 dólares. Eis o traje andino à la Armani.


Contudo, as cholas mais comuns são mulheres campesinas que migraram para os meios urbanos. É a mulher trabalhadora que aparece em todos os cenários. Pelas manhãs elas se dirigem ao comércio atravessando o trânsito caótico de La Paz, com o auayu (pano colorido, típico, bordado à mão) carregando seus filhos às costas ou o material de trabalho do dia. Em grandes obras de infra-estrutura, lá estão elas, operando maquinaria industrial, carregando tijolo, cavando buraco, servindo comida aos homens. E se por acaso, tiver um bloqueio na estrada e for necessário enfrentamento, e você for uma turista assustada, não se preocupe uma chola paceña estará lá para lhe prestar uma ajuda providencial. Nem será preciso llamar los hombres. A voz política de uma chola é muito nítida, é respeitada entre os seus. São comuns as manifestações políticas tendo como liderança ou maioria as cholas.







É essa chola, em especial, que se destaca. Se não podem comprar, confeccionam. Costuram seus trajes com lã de ovelha, agregam ao estilo desenhos indígenas e vários adornos como faziam os incas em grandes cerimônias. Pode não se vestir com o que há de mais sofisticado, mas tem sua elegância: suas tranças longas e negras, o andar apressado ao ritmo das polleras, a manta onde carrega
seus filhos ou material para o trabalho diário, sua disposição para o trabalho, sobretudo, sua expressão aguerrida, vigorosa, valiente.


Porém, em tempos de selvagem competição, o traje da chola paceña, tem outras mensagens implícitas. Marca uma posição econômica, é uma característica de ascensão social. Um maior número de pregas de uma pollera ou o comprimento do sombrero indica a categoria social da mulher. Há pouco tempo era proibido uma cholla paceña freqüentar determinados recintos. Segregação inexplicável, uma vez que 80% da população se considera indígena. A partir dos anos 80 e, especialmente, com a chegada de Evo Moralles na presidência, um índio aymará, houve uma revalorização da cultura dos povos originários.


Rezam as línguas agourentas que a moda cholla já chegou à Itália. A seqüência não é nenhum mistério. O toque Midas do capital, tudo transforma. Bom reviver, importante registrar, antes que cheguem os tempos em que estará gravada na memória coletiva apenas a imagem de modelos anoréxicas nas passarelas de Paris e Milão exibindo polleras e sombreros adaptados e...

...só reste a nostalgia.






3 comentários:

Anônimo disse...

Ehhhhhhhhh loira. Tá ficando boa nisso de "viver", hein? Quem diria? Muitas, mas muitas saudades de vc, eita sensação estranha estar perto d'ôce. Quando vc voltar temos que nos ver, sério!! Tô viajando contigo lendo o blog e a próxima viagem é NOSSA!!

Beijos e um abraço bem gostoso.

Ahhhhhhh!!!!

Anônimo disse...

Já coloquei isso aqui, mas vai de novo. Ah, pô ...saudades de vc muié ...e isso aqui fala tudo. Poxa, nunca, nunca, nunca bocejo quando estou do seu lado. Normalmente, eu choro ou dou muita risada...rsrs...

beijão linda!!


"Porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações""

Anônimo disse...

Parabéns pelos textos, algumas pessoas precisam estar para viver. Continue compartilhando as suas experiências, vc está no seu caminho, cade vez mais sua identidade se confirma.

Um abraço!