Perfil
Dogival Vieira:
um grito em defesa da igualdade racial
Palestra sobre diversidade étnica. Auditório lotado. As pessoas conversam e aguardam o próximo palestrante, mas quando ele chega ao microfone e começa a falar o silêncio é absoluto, a atenção é focalizada nele e todos concentrados querem ouvir sua oratória. O personagem em questão é o jornalista, advogado, poeta e militante Dogival Vieira, membro da ONG ABC Sem Racismo e responsável pela Afropress – Agência Afroétnica de Notícias. Em entrevista, ele expõe detalhes da sua vida e trajetória até a militância.
Sergipano, da cidade de Salgado, Dogival é filho de um vaqueiro e repentista de cordel, e de uma dona de casa, trabalhadora da roça, ambos muito pobres e humildes, semi-analfabetos. Até os 12 anos, Dogival viveu em Salgado onde trabalhava na roça e também como oleiro. Quando tinha 12 anos, o pai resolveu tentar a sorte em São Paulo, enquanto isso, a família ficou em Salgado sobrevivendo de uma pequena agricultura nos fundos de casa. Um ano e meio depois, o pai conseguiu trabalho na Prefeitura de Cubatão, e foi buscar a família. Inicia-se uma outra etapa, agora em S. Paulo, na cidade de Cubatão, morando numa casinha muito pobre, no bairro do Jardim Casqueiro.
Leitura e jornalismo
Terminado o ensino médio, Dogival presta vestibular para a Faculdade de Comunicação de Santos, onde cursa jornalismo. A opção pela Faculdade de Comunicação vem, inicialmente do apreço pela leitura: “Comecei a trabalhar como guardinha mirim na Prefeitura de Cubatão, trabalhando na Biblioteca Municipal. Imagine, o que eu fazia, sempre que havia oportunidade, lia, lia muito. Li quase todos os livros da Biblioteca, de romance, especialmente. Da leitura ao gosto de escrever foi um passo, é um desdobramento natural” explica o jornalista. Além disso, a visão idealista do profissional de jornalismo contribuiu para a escolha: “quando a gente era jovem, no meu tempo, imaginava, o jornalista como uma espécie de herói de capa e espada, cobrindo guerras, escrevendo do front. Eu gostava dessa idéia”.
Militância
“A militância começou na Faculdade de Comunicação, onde fui líder estudantil. Foi lá que aprendi o significado da militância política, (...) foi o período que antecedeu a abertura democrática, os tempos da abertura, da anistia, da volta de grandes figuras como Brizola, Gabeira, o retorno dos cassados. Vivi esse tempo, já como repórter do jornal em que trabalhava, ainda cursando a faculdade”.
Depois disso, Dogival foi vereador de Cubatão, também assessor de comunicação do Ministério da Educação, além de secretário particular adjunto do ministro da Educação, depois consultor da Unesco, onde teve a oportunidade de participar da implementação do Programa Bolsa Escola, hoje Bolsa Família, e do Programa Diversidade na Universidade, do qual foi o primeiro coordenador responsável pela estruturação inclusive institucional do Programa.
Igualdade Racial
O engajamento na luta pela igualdade racial e contra o racismo aconteceu, no período pós 2002, quando Dogival passa a coordenar o Projeto Diversidade na Universidade do Ministério da Educação, na condição de consultor da UNESCO. “Tive a consciência de que a questão racial era elemento estruturante da desigualdade social no Brasil(...) entendi o processo de desconstrução da identidade negra que o racismo opera”, afirma o militante. É nesse contexto que surge a ONG ABC sem Racismo, que tem como objetivo sensibilizar e mobilizar a sociedade para a denúncia contra a discriminação racial. Mas também advoga uma atitude pró-ativa, com projetos nas áreas da Educação, do Trabalho, dos Direitos Humanos, da Mídia, onde criamos a Afropress – Agência Afroétnica de Notícias -, que é a primeira Agência de Notícias no Brasil, com foco na temática racial e étnica.
Perspectivas
Dogival é otimista quando se fala na luta pela igualdade racial: “O racismo causa um profundo prejuízo aos negros, a sociedade e ao Brasil, como um todo. Somos a metade do país, 49% da população brasileira e não podemos mais aceitar a condição da invisibilidade e ou da subalternidade que nos reservam. Temos direitos, e vamos continuar a luta pelos nossos direitos, por igualdade racial e cidadania. Não podemos aceitar a condição de cidadãos de segunda classe, de cidadãos pela metade, se somos metade do país”.
*Matéria produzida para a faculdade.
*Matéria produzida para a faculdade.
3 comentários:
Eu adorei esse texto. O cara é mesmo o máximo. Quantas lições, quantos ensinamentos. Ele é mesmo um exemplo.
Beijo grande, inté...
Muito bom o seu texto! A história desse homem deve servir de exemplo para muitos de nós. O fato de você publicar uma matéria falando sobre o Dogival, já é uma maneira de ajudar outras pessoas a conhecerem mais uma trajetória brilhante e que trás muito orgulho.
Bjs.
Muito bom o seu texto! A história desse homem deve servir de exemplo para muitos de nós. O fato de você publicar uma matéria falando sobre o Dogival, já é uma maneira de ajudar outras pessoas a conhecerem mais uma trajetória brilhante e que trás muito orgulho.
Bjs.
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